Julio Rocha

Em 2003, mexendo em uma caixa com documentos antigos, dei de cara com o original de um livro que havia escrito alguns anos antes e decidi fazer uma leitura. Não gostei. Alguma coisa no texto me incomodava muito. Parecia uma daquelas redações de colégio que ganham uma nota 7 da professora de português e voltam com um bilhetinho dizendo: “Continue assim, você tem talento para ser um grande escritor”. Mas o que estava errado? Qual a diferença entre o que eu havia escrito e o que lia em livros como: “O Dossiê Pelicano”, “O Código Da Vinci”, “Pappilon” e outros best- sellers famosos? Fiquei com isso na cabeça.

Uma semana depois, mais precisamente em 30 de novembro de 2003, aconteceu o assassinato de um dos diretores da Shell e de sua esposa, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Esse crime ficou conhecido como “O Caso Staheli”. Logo no início, o caseiro foi apresentado como réu confesso, mas depois de uma série de contradições e mudanças no depoimento do suspeito, havia dúvidas sobre o que ocorrera naquela noite. Teria sido um crime encomendado? Ou apenas vingança do caseiro por ter sido humilhado pelo patrão? Agentes do FBI foram enviados para ajudar nas investigações. Diante desse cenário, pensei: aí tem um bom assunto para um livro de suspense policial.

Comecei a escrever. Escrevi dois ou três capítulos e não gostei do resultado. Fui até uma livraria e comprei alguns livros sobre redação, mas nenhum deles me ajudava no que eu precisava. Os livros apenas falavam em como empregar o português corretamente e sobre as diferentes técnicas narrativas. No Google procurei por “dicas para escritores”, sem sucesso. Quando usei a frase “tips for writers” na busca, tive a grata surpresa de receber uma avalanche de resultados. Comecei a entrar em alguns sites americanos, australianos e ingleses. Existe muito material de estudo disponível em inglês e isso me animou. Estudei por seis meses, dedicando uma ou duas horas por dia, sempre buscando entender as técnicas que eram usadas pelos grandes escritores. Reli alguns livros de autores que gosto, mas nesse momento procurando identificar como eram aplicadas as técnicas. E, para minha surpresa, elas estavam todas lá, sem exceções. Todos os autores utilizavam as principais regras a que eu tive acesso através dos sites. Eu estava pronto para iniciar, oficialmente, minha carreira como escritor.

Levei um ano escrevendo “Teia Negra” e, em novembro de 2005, o livro foi lançado. Decidi por uma produção independente. Não queria esperar longos meses por respostas de editoras que estavam mais preocupadas em vender autores já consagrados do que lançar novos talentos. Para divulgar o livro, publiquei um site na internet e comecei a enviar mensagens para amigos e conhecidos. Vendi alguns exemplares, mas estava longe do que havia almejado. Foi aí que surgiu a ideia de publicar uma newsletter com as dicas que eu havia colhido em várias fontes internacionais. Logo de cara, foi um sucesso. Apareceram milhares de pessoas interessadas e as dicas tornaram-se sucesso de público e crítica. Isso me ajudou a vender livros e, principalmente, demonstrou a carência de informações sobre como escrever e publicar trabalhos de ficção no Brasil. Quando atingi, com minhas dicas, um número de leitores estimado em mais de 100.000 pessoas, tive o insight de criar um workshop para escritores. Durante o workshop, tenho a oportunidade de transmitir conhecimento de uma forma muito mais efetiva e personalizada, ajudando escritores ou candidatos a escritores a agregar as poderosas técnicas utilizadas pelos grandes autores ao seu talento e estilo – sendo esses últimos, pessoais e intransferíveis.

Além deste livro, que está em sua terceira edição, escrevi o suspense juvenil “Mistério em Terra Alegre”, o thriller de literatura fantástica “Acanãs – Aequilibium” e o livro “Técnicas para Escrever Ficção”.

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